Samsung: Falta de capacitação em pesquisa e desenvolvimento é entrave para o Brasil

Jornal O Globo destaca: Segundo vice-presidente da sul-coreana, há apenas 20 PhDs trabalhando para a companhia no país, contra 5 mil no mundo

 SÃO PAULO — O número de pessoas capacitadas no Brasil para pesquisa e desenvolvimento é muito pequeno para resolver os problemas do país. A avaliação é do vice-presidente de inovação da multinacional Samsung, Benjamin Benzaquen Sicsú, que participou nesta segunda-feira do 4º Seminário de Incentivo à Inovação, promovido pelo Instituto Valor, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Ele lembrou que a Samsung, por exemplo, tem 5 mil PhDs distribuídos em seus 13 centros de desenvolvimento e pesquisa pelo mundo, mas no Brasil, onde mantém dois destes centros, possui apenas vinte. Dos cerca de 260 mil empregados da companhia coreana, 65 mil se dedicam a buscar inovações, o que equivale a 25% do quadro.

 
— Se não investirmos em educação, começando pela básica, não vamos avançar no capítulo da inovação e desenvolvimento. É preciso formar gente tanto para criar inovações quanto para aplicá-las e ganhar competitividade em nível mundial — disse Sicsú.
 
Num ranking que analisa o grau de competitividade de 43 países, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Brasil está na 39ª posição. A nota do país, 21,5 pontos, só não foi pior do que a de nações como Turquia (20 pontos, 40º lugar); Colômbia (19 pontos, 41º lugar), Indonésia (17,4 pontos, 42º lugar) e Índia (10,3 pontos, 43º lugar).
 
Sicsú lembrou que a Samsung já registrou 39 patentes no país recentemente, quase o dobro do que as empresas brasileiras registraram nos últimos 23 anos. O vice-presidente da Samsung observou que no Brasil leva-se de oito a dez anos para registrar uma patente, já que é difícil contratar pesquisadores que saibam avaliar a tecnologia desenvolvida. No exterior, o registro de uma nova patente acontece entre um e três anos.
 
— Muitas empresas acabam indo patentear lá fora para assegurar a tecnologia. Elas precisam fazer isso para proteger seu investimento — afirmou Sicsú.
 
CARÊNCIA DE PRODUTOS 'MADE IN BRAZIL'
 
Para o ex-presidente da Embraer e da Petrobras, Ozires Silva, que fez a abertura do seminário, o Brasil perde muito do ponto de vista comercial, ao investir pouco em pesquisa e desenvolvimento, já que é invadido por tecnologia do mundo inteiro, mas não tem produtos Made in Brazil sendo vendidos em grande escala em outros países. Ele disse que é preciso que as empresas invistam mais em P&D, já que os planos nacionais de desenvolvimento feitos em Brasília nunca funcionaram.
 
No Brasil, o investimento em pesquisa e desenvolvimento está atualmente em US$ 24,2 bilhões ao ano, enquanto nos Estados Unidos essa cifra chega a US$ 398,2 bilhões. Só a Samsung, por exemplo, investiu US$ 13 bilhões em P&D, no ano passado, cerca de 6% do seu faturamento de US$ 220 bilhões em 2013.
 
 
 
— A Coreia do Sul e a China eram países esquecidos quatro décadas atrás. Através da inovação, hoje seus Produtos Internos Brutos (PIBs) rivalizam com o dos EUA. Precisamos ajustar nossos gargalos de infraestrutura, como superar a falta de energia elétrica, e aproveitar essa oportunidade — disse Ozires Silva.
 
O CEO da Acelera Partners, Beny Rubinstein, uma empresa que investe em ‘startups’ e prepara os empreendedores para receber este recursos, também participou do seminário e lembrou que não falta dinheiro para aplicar em boas ideias. Mas no Brasil é difícil encontrar bons projetos fora das grandes cidades do Sul do país, já que não existe uma rede que os conecte aos investidores.
 
— Boa parte desse tipo de empresa inicial ainda não têm um modelo sustentável. Nosso trabalho consiste em preparar esses empreendedores para receber o capital disponível para investimento — diz Rubinstein.
 
 
 
  • João Sorima Neto
  • 01/12/2014
  • O Globo

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