Brasil tem a chance de arriscar com inovações

Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação destaca: Para especialista americano, instituições financeiras e investidores privados estão diante de uma oportunidade dourada para apoiar inventores

 De acordo com o estudo Indicador da Sociedade da Informação (ISI), realizado pela consultoria Everis em parceria com a Iese Business School e divulgado pelo Instituto Valor, o grau de desenvolvimento tecnológico do Brasil tem registrado um crescimento menor que o de outros países latino-americanos. Os investimentos anuais em pesquisa no País são da ordem de 24,2 bilhões de dólares, enquanto os Estados Unidos dedicam 398,2 bilhões.

 
“Sem recursos significativos em ciência, tecnologia e inovação, o horizonte nacional é questionável, já que o assunto está diretamente ligado a questões de impacto em crescimento como: alta produtividade e competitividade”, afirma Jorge Muzy, presidente do Conselho de Administração do Instituto Valor. “Trata-se de uma atenção a indicadores que podem definir entre um posicionamento confortável no mercado mundial e um país com dificuldades socioeconômicas.”
 
Das universidades ao sistema empresarial, continua Muzy, todos os setores apresentam deficiência ou poderiam ter seus resultados ampliados, caso recebessem o apoio devido em todas as fases de trabalho. Para ele, esse quadro desfavorável pode mudar e já existem ferramentas para isso. O governo federal criou um programa de incentivo regulado pela Lei 11.196 (conhecida como Lei do Bem), por meio da qual as empresas têm benefícios fiscais caso invistam em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Mais de 400 mil companhias podem se beneficiar das leis de incentivo no Brasil, mas, no caso da Lei de Incentivo à Inovação, menos de mil a utilizam. Não por falta de interesse, mas por desconhecimento.
 
Além do desconhecimento, diz Muzy, há uma insegurança sobre a utilização do benefício, dúvidas na interpretação da lei e no que se enquadra ou não como inovação. Para contornar tal cenário, é necessário difundir a informação acerca da lei, desmistificando as principais formas de benefícios, e criar uma cultura de inovação nas empresas. O Brasil investe 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em P&D. Desse montante, as empresas brasileiras respondem por uma parcela de apenas 0,6% do PIB. O dispêndio total em P&D nos países mais avançados chega a 3% do PIB, com investimento empresarial até três vezes superior ao estatal.
 
“A inovação deve orientar e sustentar todo o desenvolvimento econômico social, pois somente por meio da geração e incorporação de tecnologia e inovação será possível ampliar a produtividade e elevar a competitividade de nossas empresas”, acredita Muzy. “Inovação é o motor da geração de vantagens competitivas, e o investimento contínuo e crescente em inovação deve ser o principal combustível para o desenvolvimento sustentado.”
 
Com o objetivo de debater esses temas, o Instituto Valor promoveu em 18/7/2013, em São Paulo, o 1º Seminário Nacional de Incentivo à Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento, do qual participaram diversos especialistas no assunto, entre os quais Mory Gharib, vice-reitor do respeitado California Institute of Technology (Caltech), que respondeu às seguintes questões ao portal do IBPT.
 
Quais os seus critérios para classificar um produto ou serviço como inovador?
 
Ele deve oferecer uma solução inédita para um importante problema tecnológico, médico ou social existente. Nem todas as ideias criativas são inovadoras.
 
Em recente seminário sobre inovação realizado pela Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, os debatedores afirmaram que o Brasil ainda não conseguiu atenuar um clássico dilema entre o mundo acadêmico e o corporativo. Um tem mais facilidade para inovar. O outro, para fazer negócios. No entanto, a intersecção de ambos ainda está muito distante da verificada nos Estados Unidos, onde se situa a fonte das principais inovações do planeta. Como é possível aproximar mais os cientistas das empresas para que a sociedade como um todo ganhe com isso?
 
É importante que as universidades percebam que serão beneficiadas ao oferecer fóruns que permitam aos estudantes, pesquisadores e professores experimentar em primeira mão problemas que a indústria enfrenta. Esses fóruns podem ser na forma de estágios de estudo, de pesquisa ou técnicos nas instalações das empresas, trabalhando com a gerência, os projetistas e os engenheiros nos problemas. Por outro lado, as empresas devem reconhecer que a história mostra que as universidades são o terreno mais fértil para a inovação e a criatividade, pois são constantemente alimentadas por uma população nova de jovens cientistas e tecnocratas do presente e do futuro. Neste caso, o mundo corporativo brasileiro precisa repensar seriamente a abordagem, oferecendo apoio maciço à pesquisa e ao desenvolvimento no ambiente universitário.
 
É possível para um país em desenvolvimento como o Brasil produzir inovações radicais, capazes de revolucionar mercados, ou a tendência é concentrar-se em inovações incrementais, a partir de outras evoluções?
 
O Brasil está entre os poucos países no mundo que possuem ao mesmo tempo uma população jovem educada, recursos financeiros e naturais para dar a partida no esforço de inovação. O que falta é o impulso e os incentivos para estimular os jovens empreendedores a fazerem isso acontecer. É importante que as instituições financeiras e os investidores privados do Brasil vejam essa oportunidade dourada e ajudem a semear e a apoiar inventores locais e criadores a formar novas start-ups (empresas iniciantes) e centros de ideias. O primeiro passo é prepará-los para aproveitar a chance e arriscar com o próprio povo.
 
Alguns especialistas defendem que o Brasil e outros países emergentes deveriam copiar produtos cujas patentes venceram recentemente, como forma de acelerar seu desenvolvimento, em vez apostar em inovações de retorno duvidoso. Os críticos dessa proposta dizem que ela só acentuará os problemas de competitividade brasileiros. Qual a sua opinião?
 
Essas estratégias não se excluem mutuamente e o Brasil deveria considerar ambas. No entanto, os críticos estão corretos ao afirmarem que, eventualmente, a concorrência utilizaria estratégias (marketing e vendas) que tornariam sem sentido para as empresas brasileiras confiar nas chamadas soluções comprovadas.
 
Gestores de fundos de venture capital que atuam no Brasil dizem que hoje há mais recursos disponíveis para investir em inovação do que projetos qualificados para recebê-los no País. Como fazer para atar essas duas pontas?
 
A opinião reflete mais a falta de pessoas que se arriscam e de lideranças de venture capital do que a falta de ideias financiáveis. Os inventores e empreendedores brasileiros têm sido exemplares em seu trabalho duro e acreditam no objetivo de resolver problemas tecnológicos e sociais.
 
Edição: Costábile Nicoletta
 
Assessoria de Comunicação do IBPT
  • 09/08/2013
  • Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação

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